A tragédia registrada no domingo (17/1), quando um policial militar matou o colega e tirou a própria vida logo em seguida, expôs a fragilidade da assistência mental oferecida pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) a seus integrantes. Uma página administrada por mulheres de militares reuniu depoimentos alarmantes sobre a atual condição da tropa.
Intitulada de “Esposas Unidas PMDF”, a página do Instagram, reúne pouco mais de 2 mil seguidores, e expõe problemas relacionados à saúde dos militares e notícias sobre a corporação. Após as mortes do soldado Yago Monteiro Fidelis e do segundo-sargento Paulo Pereira de Souza, as administradoras do perfil passaram a receber diversas denúncias que tratam da precariedade nos atendimentos psicológicos e psiquiátricos.
De acordo com os policiais, que pedem para não serem identificados por medo de represálias, o serviço de tratamento está extremamente fragilizado.
“O policial é atendido na clínica e não vai um militar médico para verificar se ele está recebendo um bom atendimento. Aí recebe alta. E a Junta Médica da Polícia Militar faz pouco caso. Libera o policial para a rua, sem ele estar em condições. E aí vemos o que está acontecendo nas ruas ultimamente”, alertou um familiar.
Uma mulher afirma que passou no concurso para o quadro de praças, em 2000, mas precisou sair após oito anos de carreira.
“A minha saúde mental era mais importante. Eles não acreditavam que eu estava doente, fiquei internada em uma clínica psiquiátrica por meses devido depressão, cheguei a pesar 33kg e eles falavam que eu estava inventando e que iria voltar às ruas”, desabafou.
A ex-policial reforça que tomou a decisão de sair por medo.
“Não só por mim, mas pelos meus companheiros, pedi baixa com uma mão na frente e outra atrás. Consegui me reerguer com a força dos meu esposo e dos meus pais. Ninguém gosta de fingir doença. Perdi, nesses anos que se passaram, dois colegas de farda para a depressão e houve mudança? Infelizmente, uma tropa doente e sem se sentir pertencente à sociedade”, contou.
